Os golpes financeiros estão cada vez mais presentes na rotina dos brasileiros. Com o uso frequente do Pix, dos aplicativos de banco, das redes sociais e das compras online, os criminosos encontram novas formas de enganar consumidores todos os dias.
Por isso, antes de clicar em links, informar dados pessoais ou fazer qualquer transferência, é essencial entender como esses golpes costumam acontecer. Em muitos casos, a fraude começa com uma mensagem urgente, uma promoção falsa, um atendimento falso ou um pedido aparentemente confiável.
De acordo com dados da Serasa Experian, o setor de bancos e cartões concentrou a maior parte das tentativas de fraude registradas no primeiro semestre de 2025, com 53,7% das ocorrências detectadas. Esse número mostra que criminosos continuam mirando contas, cartões, transferências e informações pessoais, principalmente porque esses canais podem gerar dinheiro rápido.
Neste artigo, você vai entender quais são os golpes financeiros mais comuns, como identificar sinais de risco e quais cuidados ajudam a proteger seu dinheiro.
O que são golpes financeiros?
Golpes financeiros são tentativas de enganar uma pessoa para obter dinheiro, dados pessoais, acesso a contas ou informações bancárias. Eles podem acontecer por telefone, WhatsApp, SMS, e-mail, redes sociais, sites falsos, aplicativos ou até em compras presenciais.
Na maioria das vezes, os criminosos usam três elementos principais: pressa, medo e promessa de vantagem. Ou seja, eles tentam fazer a vítima agir rápido, sem conferir as informações com calma.
Por isso, sempre que uma mensagem pedir pagamento imediato, código de segurança, senha, confirmação de dados ou instalação de aplicativo desconhecido, o sinal de alerta deve ser ligado.
Importante: o que fazer se você cair em um golpe financeiro
Se você cair em um golpe financeiro, procure imediatamente o banco ou a instituição financeira envolvida, principalmente quando houver Pix, boleto, cartão ou transferência.
Explique o ocorrido com clareza e peça orientação sobre bloqueio, contestação ou tentativa de recuperação do valor. Em casos envolvendo Pix, o banco pode orientar sobre a análise pelo Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED.
Além disso, reúna provas, como:
- prints da conversa;
- comprovantes de pagamento;
- links recebidos;
- números de telefone;
- e-mails;
- dados da conta recebedora;
- nome do suposto atendente;
- protocolos de atendimento.
Depois disso, registre um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou pela Delegacia Eletrônica do seu estado.
Por fim, caso seus dados pessoais tenham sido expostos, acompanhe seu CPF em serviços de proteção ao crédito, troque senhas de aplicativos, e-mails e contas bancárias, e ative a verificação em duas etapas sempre que possível.
Denuncie também no Consumidor.gov.br
Além do contato com o banco e do boletim de ocorrência, você também pode buscar orientação e registrar reclamações em canais oficiais, como o Consumidor.gov.br.
Esse serviço permite que consumidores se comuniquem diretamente com empresas participantes para tentar resolver problemas de consumo. Dessa forma, você formaliza a situação e acompanha o caso com mais segurança, principalmente quando bancos, financeiras, lojas ou plataformas digitais estiverem envolvidos.
No entanto, o Consumidor.gov.br não substitui o boletim de ocorrência nem o contato imediato com o banco. Ele funciona como mais um canal oficial de registro e acompanhamento.
Golpe do Pix: por que ele exige tanta atenção
O golpe do Pix continua entre os mais comuns porque a transferência é rápida, prática e muito usada no Brasil. No entanto, justamente por causa dessa velocidade, muitos criminosos tentam convencer a vítima a enviar dinheiro sem pensar com calma.
Geralmente, o golpe começa com uma mensagem falsa, uma cobrança urgente, um QR Code adulterado ou uma chave Pix trocada. Em seguida, o criminoso pressiona a pessoa a fazer o pagamento rapidamente.
Depois disso, quando a vítima percebe o erro, o dinheiro já pode ter sido transferido para outra conta.
Por esse motivo, confira sempre os dados antes de concluir uma transferência. Veja se o nome do destinatário, CPF ou CNPJ, instituição financeira e valor estão corretos. Além disso, quando surgir qualquer dúvida, interrompa a operação e procure o canal oficial da empresa ou do banco.
Falso atendimento de banco ou empresa
Outro golpe bastante comum é o falso atendimento. Nesse caso, o criminoso se passa por funcionário de banco, loja, operadora, financeira ou plataforma de vendas.
Ele pode abordar a vítima por telefone, WhatsApp, SMS, e-mail ou redes sociais. Normalmente, a conversa começa com um alerta falso. Por exemplo, o golpista pode dizer que houve uma compra suspeita, uma tentativa de invasão, um bloqueio de conta ou uma dívida urgente.
Logo depois, ele pede dados pessoais, senhas, códigos de confirmação ou até orienta a vítima a fazer uma transferência para “proteger” o dinheiro.
Entretanto, bancos e empresas sérias não pedem senha completa, código de SMS ou instalação de aplicativos desconhecidos por mensagem. Portanto, quando esse tipo de solicitação aparecer, encerre o contato e procure diretamente o canal oficial da instituição.
Golpes Financeiros do WhatsApp clonado
O golpe do WhatsApp clonado também continua acontecendo com frequência. Nesse tipo de fraude, o criminoso tenta ativar o WhatsApp da vítima em outro aparelho.
Para isso, ele precisa do código de verificação enviado por SMS. Em muitos casos, o golpista finge representar uma empresa conhecida e afirma que precisa confirmar um cadastro, uma entrega, uma compra ou uma promoção.
Em seguida, ele pede o código recebido no celular. Assim que a vítima informa esse número, o criminoso pode acessar a conta.
Depois disso, o golpe costuma continuar com pedidos de dinheiro para amigos e familiares. Por isso, nunca compartilhe códigos de verificação. Além disso, ative a verificação em duas etapas no WhatsApp, pois ela cria uma camada extra de proteção.
Boletos falsos e cobranças falsas
Os boletos falsos também seguem como uma ameaça. Nesse tipo de golpe, a vítima recebe uma cobrança que parece verdadeira, mas o pagamento vai para outra conta.
Muitas vezes, o boleto falso chega por e-mail, WhatsApp ou aparece em sites que imitam páginas oficiais. Por isso, antes de pagar qualquer boleto, confira:
- nome do beneficiário;
- CPF ou CNPJ;
- valor;
- data de vencimento;
- banco emissor;
- código de barras;
- origem do boleto.
Quando surgir dúvida, busque a segunda via diretamente no site oficial da empresa, e não em links recebidos por mensagem.
Ainda assim, muitos consumidores pagam sem conferir todos os dados. Como consequência, percebem o prejuízo somente depois, quando a empresa verdadeira informa que a dívida continua em aberto.
Lojas falsas e promoções muito abaixo do preço
Outro golpe muito recorrente acontece em falsas lojas online. Nesse caso, os criminosos criam páginas que parecem comércios verdadeiros. Em seguida, divulgam ofertas com preços muito baixos em anúncios, redes sociais, e-mails ou mensagens.
A princípio, a promoção pode parecer uma boa oportunidade. No entanto, quando o desconto parece exagerado, a loja estimula pressa e exige pagamento por Pix para pessoa física, o risco aumenta.
Antes de comprar, verifique se o site possui endereço seguro, dados da empresa, CNPJ, reputação em canais de reclamação e formas reais de contato. Além disso, confira o nome do recebedor do Pix antes de concluir o pagamento.
Também vale desconfiar de lojas que aceitam apenas Pix, não possuem política clara de troca e devolução ou usam muitos erros de português na página.
Empréstimos falsos e antecipação de pagamento
Além dos golpes de compra, também existem os golpes de falso empréstimo. Nessa situação, o criminoso oferece crédito fácil, muitas vezes até para pessoas negativadas ou com score baixo.
Em seguida, antes de liberar o valor, ele cobra uma taxa antecipada. Essa cobrança pode aparecer com nomes diferentes, como:
- taxa de cadastro;
- seguro;
- análise;
- liberação;
- imposto;
- garantia;
- tarifa administrativa.
Porém, esse tipo de cobrança antes da liberação do crédito deve ser visto como sinal de alerta. Afinal, empresas financeiras sérias seguem regras, analisam o perfil de crédito e usam canais oficiais de atendimento.
Portanto, se alguém prometer empréstimo imediato e exigir pagamento antes da liberação, analise a proposta com muita cautela. Em muitos casos, depois que a vítima paga a taxa, o suposto atendente desaparece.
Golpes financeiros do comprovante falso
Também é comum encontrar o golpe do comprovante falso. Nesse caso, o criminoso envia uma imagem de comprovante de Pix, TED, boleto ou transferência.
Depois disso, ele tenta convencer a outra pessoa a entregar um produto, liberar um serviço ou devolver algum valor. No entanto, o comprovante pode ser editado.
Por isso, confirme o recebimento diretamente no aplicativo do banco. Ou seja, considere o dinheiro recebido apenas quando ele aparecer de fato na conta.
Esse cuidado se torna ainda mais importante para quem vende produtos usados, trabalha como autônomo ou recebe pagamentos por redes sociais. Afinal, nesses casos, a negociação costuma ser rápida e menos formal.
Golpe da falsa central de segurança
Outro golpe que merece atenção é o da falsa central de segurança. Nesse caso, o criminoso liga para a vítima dizendo que faz parte da área de segurança do banco.
Durante a ligação, ele pode afirmar que houve uma tentativa de compra, invasão de conta ou empréstimo suspeito. Depois, orienta a vítima a confirmar dados, acessar links, instalar aplicativos ou transferir dinheiro para uma conta “segura”.
Esse tipo de abordagem é perigoso porque parece profissional. Em alguns casos, o número exibido na tela pode até parecer o número oficial do banco.
Mesmo assim, nunca informe senhas, códigos ou dados sensíveis por telefone. Se receber uma ligação desse tipo, desligue e entre em contato com o banco usando os canais oficiais do aplicativo, site ou cartão.
Golpes em redes sociais
As redes sociais também são usadas para aplicar golpes financeiros. Criminosos podem invadir perfis, criar contas falsas, anunciar produtos inexistentes ou divulgar investimentos enganosos.
Em muitos casos, o golpe usa a imagem de uma pessoa conhecida para gerar confiança. Por exemplo, o criminoso pode publicar uma falsa venda de móveis, eletrônicos, celulares ou eletrodomésticos.
Antes de fazer qualquer pagamento, confirme por outro canal se a pessoa realmente está vendendo aquele produto. Além disso, desconfie de pressa, preço muito baixo e pagamento para contas de terceiros.
Como identificar sinais de golpe financeiro
Embora os golpes mudem com o tempo, muitos sinais de alerta se repetem. Por isso, fique atento quando a mensagem ou ligação apresentar algumas destas características:
- pedido de pagamento urgente;
- promessa de dinheiro fácil;
- desconto muito acima do normal;
- solicitação de senha ou código;
- link estranho ou encurtado;
- erro de português em excesso;
- pressão emocional;
- ameaça de bloqueio de conta;
- pedido de Pix para pessoa física;
- atendimento fora dos canais oficiais.
Quando dois ou mais sinais aparecem juntos, o risco costuma ser maior. Nesse caso, pare a operação e confira as informações antes de continuar.
Como se proteger no dia a dia
Antes de tudo, desconfie da pressa. Golpistas criam situações urgentes justamente para impedir que a pessoa pense com calma.
Além disso, analise com atenção mensagens com ameaça de bloqueio, promessa de dinheiro fácil ou desconto muito alto. Também vale adotar alguns cuidados simples:
- use cartão virtual em compras online;
- evite redes Wi-Fi públicas para acessar aplicativos de banco;
- confira sempre o nome do destinatário antes de pagar por Pix;
- ative a verificação em duas etapas;
- não compartilhe códigos recebidos por SMS;
- baixe aplicativos apenas em lojas oficiais;
- mantenha senhas diferentes para cada serviço;
- acompanhe movimentações da conta com frequência;
- desconfie de links enviados por desconhecidos.
Essas práticas ajudam a reduzir bastante o risco em transações digitais.
O que fazer ao perceber uma tentativa de golpe
Se você perceber uma tentativa de golpe antes de perder dinheiro, não responda à mensagem e não clique em links. Em seguida, bloqueie o contato e denuncie o perfil, número ou e-mail na própria plataforma.
Se a tentativa envolver o nome de um banco, loja ou empresa, avise a instituição pelos canais oficiais. Dessa forma, ela pode orientar outros consumidores e reforçar alertas de segurança.
Também é importante conversar com familiares, principalmente idosos e pessoas com pouca familiaridade digital. Muitas fraudes exploram justamente a falta de informação.
O que fazer ao cair em um golpe
Caso você identifique que caiu em um golpe, entre em contato imediatamente com o banco ou a instituição financeira.
Em situações envolvendo Pix, o banco pode orientar sobre o pedido de análise pelo Mecanismo Especial de Devolução. Depois disso, reúna provas, como prints, comprovantes, números de telefone, e-mails, links e dados da conta recebedora.
Em seguida, registre um boletim de ocorrência. Além disso, troque senhas, bloqueie cartões e encerre acessos suspeitos.
Quanto mais rápido você comunicar o problema, maiores podem ser as chances de bloqueio, rastreamento ou recuperação parcial do valor. Ainda assim, lembre-se de que a devolução não acontece em todos os casos.
Conclusão
Os golpes financeiros atuais usam tecnologia, pressa e aparência de confiança para enganar consumidores. Por isso, a melhor defesa continua sendo a atenção antes de qualquer pagamento, clique ou compartilhamento de dados.
Além disso, bancos, lojas e empresas sérias não pedem senhas, códigos de segurança ou pagamentos antecipados por canais informais. Portanto, sempre que surgir dúvida, pare, confira as informações e procure os canais oficiais.
Com cuidado, paciência e verificação, você reduz riscos e protege melhor seu dinheiro no ambiente digital.